08/01/2026

O Batalha Centro de Cinema apresenta, a 17 de janeiro, duas sessões dedicadas à artista e cineasta Zineb Sedira, no âmbito do ciclo “Cantos, imagens, danças e sons: atos para a libertação”, programado pelo Centro de Arte Moderna Gulbenkian (CAM), com curadoria de Olivier Hadouchi.

 

O programa parte da exposição “Zineb Sedira. Standing Here Wondering Which Way to Go”, patente na Fundação Calouste Gulbenkian, e centra-se nas lutas de libertação anticoloniais das décadas de 1960 e 1970, reunindo filmes que afirmam e evocam a resistência cultural e política dos povos face à dominação colonial.

 

Artista de ascendência argelina, nascida em França e residente no Reino Unido, Zineb Sedira tem uma prática profundamente marcada pelas questões da identidade, da memória e do deslocamento, tendo representado França na Bienal de Veneza em 2022.

 

No Batalha, o programa propõe um diálogo entre obras fundamentais do cinema político e práticas artísticas contemporâneas, destacando “La battaglia di Algeri” (1966), de Gillo Pontecorvo, e “Dreams Have No Titles” (2022), de Zineb Sedira, em articulação com filmes de Mohand Ali-Yahia e Isaac Julien.

 

A primeira sessão, às 16h30, apresenta “La battaglia di Algeri”, filme banido em França durante cinco anos e amplamente reconhecido como um marco incontornável do cinema político e do pensamento anticolonial.

 

Filmado a preto e branco, nos locais onde os acontecimentos tiveram lugar e com atores não profissionais, o filme recria com intensidade quase documental a luta do povo argelino contra a ocupação francesa, expondo a complexidade moral da guerra e revelando tanto o fervor revolucionário como a brutalidade da repressão. A sessão é apresentada por Zineb Sedira.

 

Às 19h15, são exibidos “The Question”, de Mohand Ali-Yahia, “Territories”, de Isaac Julien, e “Dreams Have No Titles”, de Zineb Sedira, num conjunto de obras que dialogam em torno da resistência dos corpos e das mentes à colonização e aos seus legados.

 

The Question” adapta o testemunho de Henri Alleg, denunciando as práticas de tortura do exército francês durante a Guerra da Argélia; “Territories” parte do Carnaval de Notting Hill para revelar tensões raciais e o poder político das formas culturais numa sociedade marcada pela desigualdade; já “Dreams Have No Titles”, concebido para o Pavilhão francês da Bienal de Veneza, revisita La battaglia di Algeri e outros filmes militantes, entrelaçando memória pessoal, história coletiva e cinema num gesto crítico sobre o legado, os impasses e as promessas das lutas de libertação.

 

A sessão é seguida de uma conversa entre Olivier Hadouchi e Zineb Sedira, em francês, com tradução simultânea.

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