De um sonho a uma realidade já com 20 anos de história: em 2025, a "The World Battle" conquista a tão desejada internacionalização com uma edição histórica no Japão, a 13 e 14 de dezembro. Uma conquista que demonstra “o papel transformador do desporto”, nas palavras de Rodrigo Passos, vereador do Desporto e Juventude da Câmara do Porto.
A história da "The World Battle" começa como tantas histórias: um dia alguém sonhou fazer algo diferenciador, que potenciasse as chamadas “modalidades urbanas” a outro nível e possibilitasse a colocação da cidade na rota dos grandes eventos internacionais. Esse “alguém”, neste caso, tem um nome: Max Oliveira. O sonho, esse, também tem uma explicação: em 2004, com o intuito de competir a nível internacional, decidiu “fazer-se ao caminho”, fazer das “tripas coração” e lançar-se a um “desafio” que, na altura, fazia brilhar ainda mais os seus olhos.
O “caminho” começou com uma loja aberta na Rua de Santa Catarina, com pouco mais de 15 metros, que serviu para juntar dinheiro “e ir atrás do sonho de competir nos Estados Unidos da América”. Chegado lá, as “tripas” tornaram-se ainda mais “coração” (ou vice-versa) com a imprevisibilidade de um país que não é feito a regra e esquadro. “Dancei na rua para juntar algum dinheiro, treinava numa igreja, dormia onde dava”, revela Max Oliveira. Tudo para conseguir fazer parte desse “desafio”, a “B-Boy Summit”, um encontro onde os melhores atletas de breaking se encontravam, um “sonho real realizado em vários sítios, onde havia espaço para todos, pessoas coloridas, menos coloridas, com superpoderes”, sintetiza.
E conseguiu. De tal forma que trouxe a ideia para Portugal, “apesar da desconfiança de muitos”. A primeira edição da The World Battle decorreu em 2005, “no Auditório da Exponor, com cerca de 900 pessoas de mais de 15 países”. Não havia promoção, não havia redes sociais, não havia grandes marcas associadas.
Mas 20 anos depois, em 2025, a realidade é bem diferente: a "The World Battle" decorreu em agosto último, em duas cidades (Porto e Matosinhos), contou com 60 mil pessoas a assistir, mais de 1800 atletas de 94 países. “Este é o tipo de sonhos que o Porto nos permite alcançar, ter uma battle destas e que o mundo viesse ao Porto”, revela.
Levar o evento ao outro lado do mundo
Agora, o desafio é levar a "The World Battle" além-fronteiras, e acontece já a 13 e 14 de dezembro. A cidade de Kurume (Fukuoka), no Japão, torna-se palco do encontro internacional que reúne os melhores talentos nacionais e figuras lendárias da cultura urbana. Aliás, uma delegação japonesa acompanhou de perto a última edição da The World Battle, na Alfândega do Porto, tendo sido este um ponto crucial nos caminhos que se abriram posteriormente.
“A internacionalização do evento é a demonstração e reconhecimento daquilo que tem sido feito ao longo destes 20 anos aqui na cidade”, assumiu Rodrigo Passos, vereador do Desporto e Juventude da Câmara Municipal do Porto.
Na conferência de imprensa de apresentação da iniciativa, que decorreu na manhã desta quarta-feira, 3 de dezembro, o responsável municipal defendeu que o “desporto é uma ferramenta transformadora a nível social e de inclusão de toda a sociedade”.
“Este é, sem dúvida, um projeto transformador da sociedade, que olha, como o Max olha, para os bairros da cidade, os jovens e as gentes do Porto, e que os decide colocar nos grandes palcos internacionais”, destaca, para logo acrescentar que “isto também é fazer política, porque política é a maneira que existe de transformar a vida dos cidadãos”.
Tudo isto foi conseguido através desse sonho, em 2004, mas que ainda hoje encontra retorno em diferentes gerações da cidade. “Queremos que mais jovens portuenses possam sonhar e procuramos desenvolver mais projetos transformadores para a cidade do Porto”, finaliza o vereador.
A comitiva que estará no Japão será composta por elementos do Município do Porto, da Alfândega do Porto e do Turismo Porto e Norte de Portugal, mas irá integrar ainda oito atletas, três artistas e um DJ, que levarão a tradição portuguesa ao outro lado do mundo.
“Com este projeto estamos a fazer o que a cidade precisa: salvamos vidas, criamos vidas alternativas, o crime reduz-se, as pessoas são mais felizes e o bem multiplica-se”, resume Max Oliveira.
“Um momento de consagração a que o Município do Porto se quer associar”, acrescenta Rodrigo Passos.
Texto: José Reis
Fotos: Rui Meireles