A 12 de março, a principal competição de goalball do país passa pelo Porto. O público tem acesso gratuito, mas não deve fazer ruído.
No segundo sábado deste mês, o Campeonato Nacional de Goalball traz ao Pavilhão Municipal do Lagarteiro cinco jogos, entre as 11h00 e as 16h30, a contar para a quinta jornada. É uma boa oportunidade para quem quiser conhecer, ao vivo, esta modalidade paralímpica.
O goalball dirige-se a atletas com diferentes graus de deficiência visual. Todos usam tampões oculares e viseiras opacas para garantir que competem em pé de igualdade. E é através do tato que têm a perceção espacial do campo, cujas linhas estão marcadas com fio de sisal e fita.
A audição é outro dos recursos fundamentais para os atletas, daí que se peça silêncio no recinto durante as partidas. O público pode, claro, aplaudir os golos das equipas, que ao contrário do que acontece na maioria dos desportos misturam atletas femininas e masculinos (três titulares e três suplentes).
Em Portugal, a modalidade começou a ser praticada em 1992 e desde 2008 que o seu campeonato nacional é dirigido pela Associação Nacional de Desporto para Pessoas com Deficiência Visual (ANDDVIS). Participam na prova nove equipas, três delas da Invicta: ACAPO Porto, CCD Misericórdia do Porto e Futebol Clube do Porto competem com ACAPO Lisboa, AJ Pina, Castêlo da Maia GC, CD Cova da Piedade, Clube Atlético e Cultural e ainda Sporting Clube de Portugal. Os dois últimos são os emblemas que apresentam melhor palmarés, com cinco torneios conquistados cada um.
A competição conta com uma primeira fase de sete jornadas, disputadas num sistema de todos contra todos, com alguns clubes a realizar mais de um jogo por ronda. Divide-se depois em duas vias: os quatro primeiros classificados seguem para uma fase final de apuramento do campeão (chamada “Final Four”), enquanto os restantes disputam a vitória na segunda metade da tabela (chamada “Play-Out”).
Esta temporada o campeonato começou a ser descentralizado, com jornadas em Celorico de Basto, Tomar ou Almada antes da chegada ao Porto. Estão ainda previstas passagens por Lisboa, Coimbra e finalmente Leiria, destino da etapa de atribuição do título. O objetivo da ANDDVIS é levar o desporto para pessoas com deficiência visual, em geral, e o goalball, em particular, a cada vez mais concelhos.
Calendário da 5.ª jornada, disputada no Pavilhão do Lagarteiro*:
*As partidas têm uma duração de 24 minutos, dividida em duas partes de 12.

A evolução da modalidade em Portugal e no Porto
O goalball é uma das duas únicas modalidades paralímpicas que foram criadas de raiz para pessoas com deficiência, ou seja, que não são uma adaptação de um desporto olímpico já existente (a outra é o boccia, dirigido a pessoas com paralisia cerebral). Essa exclusividade, a par do “ambiente saudável e familiar que se vive” entre praticantes, explica que a modalidade seja “uma das mais acarinhadas mundialmente nos Jogos Paralímpicos”, segundo Pedro Figueiredo, vice-presidente da ANDDVIS.
Para o dirigente, o goalball já “poderia ter alcançado mais notoriedade” em Portugal devido a esse estatuto, mas, ainda assim, a sua evolução pode-se considerar “normal para uma modalidade com as suas especificidades”. Acrescenta que, no Porto, o ritmo de crescimento tem sido “acima da média nacional”, já que “um terço das equipas que compõem o Campeonato Nacional são da cidade”. Pedro Figueiredo destaca ainda que a entrada de um clube como o FC Porto veio trazer “um redobrado interesse” para o goalball português, que conta agora com “clássicos entre dragões e leões” (Porto e Sporting defrontam-se precisamente nesta jornada, no Lagarteiro).
Em termos nacionais, a ANDDVIS conseguiu no início deste ano o regresso a Seleção de Goalball Feminina, pois “não podia perpetuar a injustiça da desigualdade de género que existia”, acentuada por se tratar de um desporto de equipas mistas. E está também implicada em dinamizar a seleção nacional de sub-23, já que “sem incentivo e procura de jovens jogadores pura e simplesmente não há futuro, seja em que modalidade for”. Com estes esforços, a associação acredita “que possam surgir ainda mais equipas fora dos grandes centros urbanos”.
Pedro Figueiredo augura mesmo que 2022 “será um ano de ótimas notícias para o goalball nacional”, com a receção de uma grande competição: “a ANDDVIS acaba de submeter à Federação Internacional de Desporto para Pessoas com Deficiência Visual uma candidatura para que Portugal seja o país anfitrião do próximo Campeonato da Europa – Divisão B”. Em caso de aprovação, a prova deverá decorrer em novembro, na região Norte.
Texto: Francisco Ferreira
Fotos: ANDDVIS/FPDD