O Batalha Centro de Cinema começa o ano com uma nova programação dedicada ao público mais jovem e às famílias afetivas, cruzando clássicos do cinema, animação contemporânea e cinema de autor.
As sessões abordam temas como a imaginação e o poder das histórias, o primeiro amor e a perda, o humor como ferramenta de encontro familiar e a memória do exílio e da resistência, estabelecendo um diálogo contínuo com os ciclos e retrospetivas em exibição no Centro de Cinema.
No âmbito do ciclo “Tesouros do Arquivo”, que apresenta obras restauradas, a 17 de janeiro, o Batalha exibe “História Interminável” (The NeverEnding Story, 1984), de Wolfgang Petersen. O filme acompanha Bastian, um rapaz solitário que encontra refúgio num livro capaz de o transportar para o reino de Fantasia, ameaçado pelo Nada. Entre o mundo real e o imaginário, a narrativa celebra o poder transformador das histórias. Quatro décadas depois da estreia, este clássico marcante dos anos 80 regressa ao grande ecrã numa cópia restaurada em 4K.

A 14 de fevereiro, numa sessão especial que assinala o Dia de São Valentim, é apresentado “A Família Dionti” (2019), de Alan Minas. Recorrendo ao realismo mágico, o filme aborda temas como o primeiro amor, a perda e a mudança social numa região do interior do Brasil raramente retratada no cinema. A história centra-se num pai que cria sozinho os dois filhos numa paisagem marcada pela seca, enquanto espera o regresso da mãe, que “derreteu de amor”. Um filme delicado e pouco óbvio sobre afetos, heranças emocionais e transformação.

Em diálogo com o ciclo “Rir para não Chorar: Mulheres e Humor no Cinema”, a 14 de março é exibido “Pai para Mim… Mãe para Ti” (The Parent Trap, 1998), de Nancy Meyers. A comédia acompanha duas gémeas idênticas que se conhecem num campo de férias e descobrem ter sido separadas à nascença. A decisão de trocar de identidade para reunir a família deu origem a um dos filmes juvenis mais populares dos anos 90, protagonizado por Lindsay Lohan.
Já a 28 de março, em articulação com a retrospetiva dedicada ao cineasta palestiniano Kamal Aljafari, o Batalha apresenta “A Torre” (The Tower, 2017), de Mats Grorud. O filme de animação em stop motion acompanha Wardi, uma jovem palestiniana que vive num campo de refugiados em Beirute e que, através das memórias do bisavô, descobre a história da expulsão da sua família da Palestina em 1948. Uma obra sensível sobre memória, perda e resistência, que aborda a experiência do exílio a partir do olhar da infância.

Todas as sessões de cinema para famílias decorrem aos sábados, às 15h15.
A programação inclui ainda a Oficina de Realização: Cinema ao Virar da Esquina, dirigida a participantes dos 9 aos 12 anos, que durante as férias da Páscoa: de 31 de março a 3 de abril e de 7 a 10 de abril.
Ao longo de oito sessões, das 10h00 às 17h00, os participantes são convidados a explorar memórias e histórias ligadas aos lugares que habitam, usando as ruas, praças e edifícios em redor do Batalha como cenário para os filmes que vão criar coletivamente.
A oficina é orientada pelo realizador Falcão Nhaga, em colaboração com Carolina Pinto, programadora e técnica de imagem. As inscrições estão abertas até 30 de janeiro em batalhacentrodecinema.pt.