O ciclo dedicado ao cinema português, é retomado em janeiro continuando a apresentar o capítulo “A Pedra ainda Espera Dar Flor”, centrado na representação da infância, da adolescência e do início da idade adulta no cinema nacional. Em fevereiro, o quarto capítulo, intitulado “Em Cada Olhar, Um Forasteiro”, propõe um diálogo entre perspetivas cruzadas: cineastas estrangeiros que filmaram o território português e realizadores portugueses que levaram a câmara além-fronteiras.
O programa é retomado a 7 de janeiro com “O Sangue”, a primeira longa-metragem de Pedro Costa, estreada no Festival de Cinema de Veneza.

Protagonizado por Pedro Hestnes, Nuno Ferreira e Inês de Medeiros, o filme revela desde logo um estilo singular. Nos arredores de Lisboa, dois irmãos — Vicente, de 17 anos, e Nino, de 10 — partilham um segredo: o pai desapareceu e algo de grave aconteceu. Apenas Vicente e Clara, assistente da escola primária, conhecem a verdade. Entre promessas e silêncios, a infância escurece e o segredo torna-se um peso insuportável.
Segue-se, a 21 de janeiro, “Manhã Submersa”, de Lauro António, adaptação do romance homónimo de Vergílio Ferreira. A história acompanha António, jovem de origens humildes enviado para um seminário na Beira Interior, onde se confronta com a repressão religiosa, a rigidez institucional e profundas tensões sociais. Nesse espaço claustrofóbico, entre rituais espirituais e desejos terrenos, trava uma dolorosa busca pela liberdade.

O terceiro capítulo encerra a 4 de fevereiro com “Alma Viva”, primeira longa-metragem de Cristele Alves Meira. Inspirado na infância da realizadora, o filme acompanha Salomé, uma menina que passa os verões na aldeia da família, em Trás-os-Montes. A ligação à avó, tida como bruxa, é profunda. Quando esta morre subitamente, Salomé começa a sentir a sua presença espiritual. Entre luto, conflitos familiares e mistério, o verão transforma-se num rito de passagem.
Em fevereiro tem início o quarto capítulo do ciclo, dedicado às coproduções e aos olhares transnacionais, partindo da premissa de que um cinema dito nacional não reconhece país, dono ou fronteira.

A 18 de fevereiro é apresentado “The State of Things”, de Wim Wenders. O filme acompanha uma equipa de filmagem retida em Portugal após ser abandonada pelo produtor. Entre Lisboa e Sintra, Wenders reflete sobre o próprio ato de filmar, numa coprodução de Paulo Branco, realizada num período em que o cineasta colaborava com Francis Ford Coppola e Raúl Ruiz em Portugal.
A 11 de março é exibido “A Costa dos Murmúrios”, de Margarida Cardoso, adaptação do romance homónimo de Lídia Jorge. O filme propõe uma reflexão histórica sobre a guerra colonial em Moçambique, evocada não através da ação militar, mas pelos olhares de quem a viveu de perto — embora nunca totalmente dentro dela.

A 25 de março é apresentado “Terra Estrangeira”, de Walter Salles e Daniela Thomas. Nas palavras de Salles, o filme aborda uma sensação de não pertença e de orfandade intensificada pelo Brasil dos anos de Fernando Collor de Mello. É nesse contexto que Paco atravessa o oceano rumo a Portugal, onde encontra outros brasileiros igualmente deslocados, num exílio simultaneamente político, económico e existencial.
Com curadoria de Carlos Natálio, Joana Gusmão e Luísa Sequeira, e desenvolvido em parceria com a Cinemateca Portuguesa, o ciclo Seleção Nacional decorre quinzenalmente, às quartas-feiras, às 19h15, no Batalha Centro de Cinema. As sessões contam com legendas em inglês nos filmes falados em português.