02/01/2026

No primeiro trimestre do ano, o programa “X-Novo”, do Batalha Centro de Cinema, regressa com a presença dos realizadores Ben Rivers e Matías Piñeiro e filmes de Ira Sachs, Annemarie Jacir e Pedro Pinho.

 

O programa quinzenal reúne obras que se destacaram nos principais festivais internacionais, mas que ainda não tiveram exibição comercial no Porto nem passaram por festivais locais, oferecendo ao público um espaço dedicado à descoberta e à circulação de cinema contemporâneo.

 

A primeira sessão acontece a 9 de janeiro, com “Mare’s Nest”, de Ben Rivers, numa exibição seguida de conversa com o artista e cineasta britânico. O filme deu também origem à exposição homónima patente no Batalha até 14 de fevereiro.

 

 

Inspirado em “The Word for Snow”, de Don DeLillo, o filme propõe uma resposta poética às alterações climáticas, imaginando um futuro fragmentado entre paisagens do Reino Unido e de Espanha, habitado por crianças que vivem sem supervisão adulta.

 

A 23 de janeiro, o programa apresenta “Peter Hujar’s Day”, de Ira Sachs, a partir de uma conversa gravada em 1974 entre a escritora Linda Rosenkrantz e o fotógrafo queer Peter Hujar.

 

Reencenado por Rebecca Hall e Ben Whishaw, o filme acompanha uma tarde no apartamento de Linda, onde Hujar revisita um dia da sua vida e a vibrante — e precária — cena cultural nova-iorquina dos anos 70.

 

 

O cinema político e histórico marca presença a 6 de fevereiro com “Palestine 36”, de Annemarie Jacir, centrado nos acontecimentos que antecederam a Revolta Árabe de 1936. O filme acompanha Yusuf num momento de crescente tensão na Palestina Mandatária, quando a mobilização popular contra o domínio colonial britânico se cruza com profundas transformações sociais e políticas.

 

A 15 de fevereiro, será apresentada a versão integral de “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho. Selecionada para Cannes e destacada pelos Cahiers du Cinéma como um dos dez melhores filmes de 2025, a obra segue um engenheiro ambiental enviado por uma ONG para a África Ocidental, explorando as ambiguidades do humanitarismo e dos projetos de “desenvolvimento”, numa versão de cinco horas e meia concebida pelo realizador.

 

 

A 21 de março é exibido “Tú me abrasas”, de Matías Piñeiro, numa sessão com a presença do cineasta e apresentação da primeira monografia dedicada à sua obra, editada pelo Batalha Centro de Cinema em parceria com a Fireflies Press. Inspirado em “Diálogos com Leucó”, de Cesare Pavese, e na poesia fragmentária de Safo, o filme afasta-se da narrativa linear para construir uma experiência cinematográfica de forte dimensão poética.

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