29/04/2026

Num ano marcado pelos Jogos Olímpicos de Inverno e pelo Campeonato Mundial de Futebol, o Batalha Centro de Cinema propõe um olhar sobre o desporto através do cinema. Entre 6 de maio e 5 de junho, o ciclo temático “Hard, Fast and Beautiful: Desporto no Cinema” a arte e o desporto.

 

Com curadoria dos cineastas André Gil Mata e de Cláudia Varejão, de Guilherme Blanc (Batalha Centro de Cinema) e de Nuno Crespo (curador, crítico de arte e investigador), o programa organiza-se em 10 sessões que exploram o potencial do cinema para refletir sobre o universo desportivo e os seus múltiplos contextos sociopolíticos.

 

Ao longo do ciclo, as obras selecionadas dialogam entre si para explorar temas como identidade, disciplina, espetáculo mediático e desigualdade, cruzando experiências individuais e coletivas. Mais do que celebrar o desempenho físico, estes filmes interrogam o percurso atlético, revelando tensões entre ambição, sacrifício e reconhecimento.

 


O programa destaca a capacidade do desporto para mobilizar massas e atravessar fronteiras culturais, sublinhando também a dimensão ética do esforço, da superação e da resiliência. Em paralelo, evidencia o poder do cinema para captar o corpo em movimento, com rigor técnico e intensidade emocional.

 

 

Percorrendo décadas, geografias e linguagens cinematográficas, o ciclo pensa o desporto como espaço de transcendência. A abertura acontece a 6 de maio, às 21h15, com “Offside” (2006), de Jafar Panahi, que acompanha um grupo de jovens mulheres iranianas na tentativa de entrar num estádio de futebol, desafiando as restrições impostas pelo regime. Entre humor e tensão, o filme expõe questões de género, liberdade e cidadania num contexto de forte controlo social.

 

O filme é antecedido pela curta-metragem “Phantoms of Nabua” (2009), de Apichatpong Weerasethakul, uma peça atmosférica onde memória, política e futebol se cruzam numa aldeia tailandesa marcada pela violência militar.

 

 

A viagem inclui ainda uma seleção de obras que atravessam épocas, estilos e modalidades. “Palombella rossa” (1989), de Nanni Moretti, propõe uma reflexão política e existencial ambientada num jogo de polo aquático. Em “Vive le Tour” (1962), Louis Malle oferece um olhar irónico sobre os bastidores da Volta à França. Já “The Great Ecstasy of Woodcarver Steiner” (1974), de Werner Herzog, constrói um retrato poético de um campeão de salto de esqui.

 

No contexto português, “Belarmino” (1964), de Fernando Lopes, afirma-se como um marco ao acompanhar a vida do antigo campeão de boxe lisboeta.

 

 

Também de 1964, “Evasi”, de Franco Piavoli, desenvolve uma abordagem sensorial ao corpo e ao movimento. Em “Garrincha, Alegria do Povo” (1963), Joaquim Pedro de Andrade traça um retrato vibrante do lendário futebolista brasileiro.

 

Por sua vez, “Muhammad Ali, the Greatest” (1969), de William Klein, centra-se numa das figuras mais incontornáveis do desporto do século XX. “Hard, Fast and Beautiful!” (1951), de Ida Lupino — que dá título ao ciclo — acompanha uma jovem tenista confrontada com a pressão da ambição. Em “Pumping Iron” (1977), George Butler e Robert Fiore mergulham no universo do culturismo, num filme que projetou internacionalmente Arnold Schwarzenegger.

 

“Tokyo Olympiad” (1965), de Kon Ichikawa, apresenta um registo inovador dos Jogos Olímpicos de 1964. “Double Strength” (1978), de Barbara Hammer, propõe um estudo íntimo e político sobre o corpo e a relação com Terry Sendgraff. Já “Cassandro, the Exotico!” (2018), de Marie Losier, acompanha um wrestler que desafia normas de género.

 

Por fim, “Chariots of Fire” (1981), de Hugh Hudson, revisita a história de atletas olímpicos britânicos, enquanto “Goshogaoka” (1997), de Sharon Lockhart, apresentado em versão instalada, observa com rigor uma equipa feminina de basquetebol.

 

 

A pensar nas famílias, o programa inclui também “Le Ballon d’Or” (1994), de Cheik Doukouré, inspirado na vida de Salif Keïta, o primeiro vencedor da Bola de Ouro Africana, e “É Tao Bom Ginasticar!” uma sessão de curtas-metragens de animação onde corpo, ritmo e humor visual dão forma a histórias simples e universais, atravessadas pelo desporto e pelo movimento.

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