A vida de Mafalda Andrade é feita de vários capítulos, etapas e memórias. Dos bons aos maus, bons que deixam boas recordações àqueles que mais vale não voltar a lembrar. No entanto, a vida segue em frente e o importante, nestes casos, é acreditar que o amanhã será sempre melhor do que o hoje – que, de resto, já foi melhor do que o ontem. Quando uma lesão transforma os sonhos em realidade, é importante voltar a acrescentar novos sonhos à presente realidade. Foi o que a atleta fez, com novos objetivos a alcançar e novos desafios a superar. Mafalda Andrade é mais um dos nomes apoiados pelo Programa de Patrocínio a Atletas de Alto Rendimento e Elevado Potencial Desportivo.
Diz o povo que quando se fecha uma porta, abre-se uma janela. Quando uma oportunidade se encerra, nasce uma nova hipótese. Como se o fim de algo fosse apenas um fim em si mesmo, mas, mais do que isso, fosse um início de tudo o resto que ainda pode ser feito.
Porque quando se acha que a linha acabou, há sempre outras paralelas que se abrem, que derivam para novas dinâmicas, para novas realidades, para novos objetivos. Como se fosse uma metamorfose da vida que se abre, ali, à nossa frente.
Quando uma porta se fechou na vida de Mafalda Andrade, não foi apenas uma janela que se abriu. Foi uma oportunidade gigante de, a partir da mudança, alcançar um novo patamar enquanto atleta e, acima de tudo, enquanto pessoa.
Porque essa lesão que lhe mudou o destino não foi motivo para desistir, para baixar os braços e aceitar esse fim. Foi o incentivo para fazer da fraqueza uma nova força, para procurar uma luz no meio dessa escuridão consumida pela dor.
Descobriu no atletismo esse futuro que nunca tinha sido efetivamente presente, mas que rapidamente se transformou numa prioridade. Ciente da lesão que a podia limitar, criou formas de evoluir com a consciência da sua existência.
Mas de uma coisa estava certa: essa lesão nunca seria parte da definição dela enquanto atleta, nem seria um obstáculo para alcançar o que ambiciona, todos os dias. O que ficou para trás, ficou. O futuro prova isso mesmo, que é realmente no momento de maior fraqueza que pode nascer a maior força do ser humano.
O episódio já pode ser ouvido aqui.
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Texto: José Reis
Foto: Rui Meireles