Entre uma guitarra ou uma arma, a escolha parecia óbvia. Mas nem sempre o que parece certo é, efetivamente, o mais acertado. Começou por experimentar a guitarra, mas as suas mãos queriam manejar materiais com outro grau de complexidade. Apaixonou-se pelo tiro desportivo e histórico e, hoje, é um dos nomes que leva ainda mais longe o nome de Portugal nessa modalidade. Pedro Azevedo é mais um dos atletas apoiados pelo Programa de Patrocínio a Atletas de Alto Rendimento e de Elevado Potencial Desportivo da Câmara Municipal do Porto.
Num mundo em constante sobressalto, atento aos passos que os mais poderosos fazem a cada dia, as guerras tornaram-se uma banalidade nos noticiários, todos os dias, a todas as horas.
Países que se defrontam pelas mais variadas causas, que procuram ser os melhores para mostrar aos outros que, afinal, os mais fortes ainda continuam a vencer. Mas essa força, que os antepassados nos ensinaram como estando na cabeça, está hoje cada vez mais no poderio militar e na forma ardilosa como colocamos os outros em situações menos confortáveis.
Por entre artilharia pesada e material de guerra, as armas e os tiros passaram a figurar na nossa realidade, algo que, noutros tempos, nos chegava através dos filmes.
A curiosidade pelas armas nasceu por acaso na vida de Pedro Azevedo. Não pelas armas de guerra com o objetivo de matarem, mas pelas armas que se usam para demonstração desportiva. Sem grande expectativa, experimentou o tiro desportivo e descobriu ali uma modalidade que desconhecia.
As armas históricas foram uma consequência imediata, pelo carácter que elas carregam, pela personalidade que emana, pela elegância como se manuseiam. Porque, para se saber lidar com uma arma de fogo, há que saber respeitá-la, entendê-la, seguir os procedimentos todos, de início ao fim.
Hoje, é um dos atletas de tiro com títulos nacionais e internacionais. Conquistados em competições que o levam a descobrir mais e melhor o poder das armas – as de ar comprimido e não só. Tem hoje uma certeza: as armas não perigosas. Perigosos são aqueles que as manuseiam como uma extensão da sua vontade e com os objetivos fora do lugar.
O episódio já pode ser ouvido aqui.
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Texto: José Reis
Fotos: Rui Meireles