25/01/2023

Segundo a Organização Mundial de Saúde, só em Portugal, mais de um terço das crianças e mais de metade dos adultos têm excesso de peso, sendo este um dos principais fatores de risco para desenvolver doenças crónicas como a obesidade. Confrontado com esta realidade, o Município do Porto acaba de lançar um novo programa municipal - “Nutrição Ativa” - que assenta na reeducação alimentar e na capacitação dos utentes das piscinas municipais para a adoção de hábitos mais saudáveis e adaptados a cada realidade. 


Maria Estela, 67 anos, é fã incondicional da Piscina da Constituição. Utente desde 2021, não perde uma oportunidade para participar nas aulas de hidroginástica. “Sinto muita falta quando não venho. Muitas vezes não me apetece, está frio, chove, mas faço questão de vir às aulas de hidroginástica porque sei que me fazem muita falta”, reconhece. 



A participação neste novo programa surgiu da necessidade de “perceber como estava a nível nutricional”. Estela é luso-brasileira e quando chegou a Portugal, em 2021, conseguiu, sozinha, um feito: “fiz uma dieta bem rigorosa e em seis meses perdi 17 quilos”. 


A participação neste programa vem ao encontro de um objetivo concreto que Estela traçou: a sua reeducação alimentar e, após a primeira avaliação nutricional, ficou a perceber que ainda tem “alguns hábitos” que precisa “retirar, trocar ou diminuir”. 

Quero levar avante estas mudanças e sugestões que a nutricionista me sugeriu. Para algumas pessoas acredito que possa ser difícil, mas, no meu caso particular, não vai ser. Sou rigorosa e quero mudar para o meu próprio bem”, afirmou. 


E aconselha o Nutrição Ativa?”, perguntamos. “Claro que sim… como fui a primeira da minha turma de hidroginástica a participar no programa, já sei que as colegas vão querer saber como correu para terem oportunidade de mudar os seus hábitos alimentares”, sintetiza.  


Novo programa municipal 


O Nutrição Ativa surge da necessidade de um aconselhamento nutricional mais dedicado, de informação sobre alimentação saudável e os riscos de uma vida sedentária. Numa primeira fase, nas avaliações de risco são feitas as medições antropométricas, como o peso, a altura, o IMC e o perímetro da cintura.



Explicamos ao utente em que ponto é que está o seu estado nutricional”, adianta Helena Alencastre, nutricionista do departamento de Promoção da Saúde, Qualidade de Vida e Juventude da Câmara Municipal do Porto.


Posteriormente ocorrem as capacitações em nutrição e alimentação saudável, com oito sessões cada, nas quais são aprofundados os temas sobre nutrição e alimentação saudável. Sessões dirigidas a jovens e adultos, e também a encarregados de educação. O desenvolvimento destas temáticas é feito de uma forma dinâmica e “são muito importantes para identificar casos específicos de risco que deverão ser sinalizados e encaminhados para a consulta de nutrição clínica nos dois ACeS da cidade”. 



Victor Rocha tem 30 anos e é utente da Piscina da Constituição, onde pratica natação. Teve conhecimento desta iniciativa por e-mail e logo achou “muito interessante participar, não só pela vertente da saúde”, mas também por considerar “um programa onde espera adquirir novas aprendizagens”, afirmou. 


Estou aqui por mim! Participar neste tipo de iniciativas municipais é também um exercício de participação ativa de cidadania. A saúde é um direito e um bem humano e esta é uma iniciativa que não se vê todos os dias”, sustenta. 


Democratizar o acompanhamento especializado


Para Catarina Araújo, vereadora da Juventude e Desporto da Câmara do Porto, “a saúde pressupõe o bem-estar físico e social, que se complementa com o exercício regular e com a adoção de uma dieta equilibrada e adaptada a cada realidade. Este novo programa de reeducação alimentar de crianças, jovens e adultos utilizadores das piscinas municipais do Município do Porto, tem este caráter inovador de contemplar participantes de todas idades para uma avaliação de risco nutricional num contexto que lhes-é familiar e natural”.


Marília Salazar, de 55 anos, e Margarida Sousa, de 61, são irmãs e decidiram, em conjunto, realizar a primeira avaliação de risco nutricional, mas por razões diferentes. Margarida porque tem “aumento de peso com idade. E isso preocupa-me. Embora tenha cuidado com a alimentação, tenho consciência que não faço tudo bem”. Já para Marília, a “ideia é orientar-me. É um aconselhamento profissional que necessito para a minha dieta alimentar”.



Este é um passo para democratizar e promover a saúde através do desporto, num trabalho articulado e de proximidade entre o município e os ACeS – Porto Ocidental e Porto Oriental”, finaliza Catarina Araújo.


As avaliações individualizadas de risco nutricional têm lugar na Piscina da Constituição, todas as terças-feiras (entre as 10h00 e as 12h30) e quartas-feiras (entre as 16h30 e as 19h00). Tem participação gratuita, mas sujeita a inscrição, que pode ser feita na receção deste equipamento municipal.


Texto: Sara Oliveira

Fotos: Andreia Merca

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