29/06/2026

No próximo dia 11 de julho, a Galeria Municipal do Porto inaugura um novo bloco expositivo, marcado pela primeira exposição em Portugal do artista lituano Augustas Serapinas e pela apresentação de uma instalação sonora da artista argelina Lydia Ourahmane.

 

No piso térreo da Galeria Municipal, Augustas Serapinas apresenta “Cultura do Corpo: Edição Porto”, um projeto que parte da sua experiência enquanto estudante na Academia de Arte de Vilnius, onde o ensino artístico assenta numa metodologia clássica centrada no desenho de modelo ao vivo e no domínio das técnicas tradicionais de desenho, pintura e escultura.

 

Através desta instalação, o artista explora as múltiplas interseções entre a história da arte e a representação do corpo, refletindo sobre a repetição enquanto disciplina e método de produção das formas clássicas da arte ocidental, bem como sobre os processos de modelação física do corpo através do exercício.

 

 

Concebida como uma instalação interativa de grande escala, “Cultura do Corpo: Edição Porto” será ativada, em diversos momentos, através da sua utilização tanto como espaço de treino académico de desenho — tradicionalmente dedicado à cópia de esculturas clássicas — como espaço de exercício físico, convidando os visitantes a interagir diretamente com a obra, transformada numa espécie de ginásio.

 

A edição apresentada no Porto, com curadoria de João Laia, constitui a primeira ocasião em que “Cultura do Corpo” se centra exclusivamente no contexto local da sua apresentação.

 

Para esta instalação, Serapinas integrou mais de 60 réplicas de esculturas pertencentes à coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, incluindo a emblemática obra “O Desterrado”, que substituem os pesos e halteres habitualmente utilizados em equipamentos de fisiculturismo e musculação.

 

 

Já a artista Lydia Ourahmane apresenta “Para Voz”, uma obra criada em colaboração com a sua irmã, a compositora e música Sarah Ourahmane, com curadoria de Krist Gruijthuijsen.

 

Escrita para duas cantoras com deficiência visual, a peça expande-se pelo espaço triangular do primeiro piso da Galeria Municipal do Porto, através de uma partitura em braille, integrada diretamente nas paredes.

 

Quase invisível, mas percetível ao toque, a partitura foi desenhada a partir da própria arquitetura da galeria: as suas dimensões determinam a estrutura da composição. Durante a performance, que terá lugar no dia da inauguração, cada cantora irá seguir a partitura ao longo das paredes, movimentando-se pelo espaço à medida que a composição se desenrola, numa performance aberta à variação, em que a memória, a interpretação e o deslocamento das intérpretes moldam a forma final da obra.

 

Após esta atuação, uma instalação sonora vai assumir o lugar das cantoras. Dois altifalantes luminosos passam a deslocar-se pela galeria às escuras, ecoando a cadência e a trajetória das intérpretes e traduzindo a partitura na sua ausência.

 

As duas exposições inauguram no sábado, 11 de julho, a partir das 17h00, e ficam patentes até dia 11 de outubro, com acesso gratuito, de terça a domingo, das 10h00 às 18h00. 

 

Mais informações podem ser consultadas em www.galeriamunicipaldoporto.pt.

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