A Galeria Municipal do Porto (GMP) apresentou nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, o programa para o ano de 2026. O evento, que decorreu no dia em que a GMP celebra o seu 25.º aniversário, contou com a presença de Jorge Sobrado, vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, e de João Laia, diretor artístico da Direção de Arte Contemporânea da Ágora – Cultura e Desporto do Porto, E.M.
Na sequência de um ano em que a instituição registou um aumento exponencial na afluência às diferentes atividades da sua programação, totalizando 180.644 visitantes e participantes – o que corresponde a um aumento de aproximadamente 134% em relação a 2024 –, a programação da Galeria Municipal do Porto propõe para 2026 um programa ambicioso, que reforça o apoio à produção artística no Porto, em diálogo com agentes nacionais e internacionais, aprofundando a diversificação de públicos.

Com três exposições patentes até meados de fevereiro – “Estado de espírito” dos artistas portuenses Mariana Caló e Francisco Queimadela; “Recursões: uma cartografia de territórios inacabados”, de Kiluanji Kia Henda com Flávio Cardoso, Lilianne Kiame e Raul Jorge Gourgel; e “Aprender a ensinar, ensinar a aprender com Elvira Leite” –, o espaço inaugura, a 14 de março, um novo ciclo expositivo. Para além de duas exposições individuais – “Pele do Mar” da artista multidisciplinar luso-moçambicana Eunice Pais, e “Colapso”, de Silvestre Pestana, artista incontornável da arte contemporânea do Porto e portuguesa, pioneiro da poesia visual –, a data marca o arranque de “Comissões”, uma nova iniciativa da Galeria Municipal do Porto dedicada ao apoio à produção de obras inéditas, procurando mapear a vitalidade da cena artística nacional. Nesta primeira edição, são apresentados trabalhos de cinco artistas de diferentes contextos e gerações, a grande parte com uma participação muito forte na vida cultural da cidade do Porto — Mauro Cerqueira, Joana Escoval, Sara Graça, Catarina Miranda e Mariya Nesvyetaylo —, cujas práticas partem de investigações formais e conceptuais distintas.
A partir de 16 de maio, e durante os meses mais quentes do ano, o terreiro em frente à GMP acolhe mais uma instalação ao ar livre, desta feita da autoria da artista mexicana Pia Camil, reconhecida pelas suas instalações de grande escala, criadas em colaboração com comunidades do contexto de exibição, neste caso a cidade do Porto.
Até ao fim do ano, estão ainda previstos mais dois ciclos de exposições. Um dos quais, compreendido entre julho e outubro, inclui a primeira exposição em Portugal do artista lituano Augustas Serapinas, uma colaboração com o Museu Soares dos Reis que irá transformar o piso térreo da Galeria Municipal num híbrido, entre um ginásio e um gabinete de desenho; e a instalação e performance “Per Voce”, da artista conceptual argelina Lydia Ourahmane, desenvolvida em colaboração com a sua irmã compositora e música, Sarah Ourahmane, em colaboração com intérpretes vocais com deficiência visual.
Finalmente, a partir de novembro e até fevereiro de 2027, a GMP irá apresentar uma mostra de grande escala da obra da artista portuense Isabel Carvalho; uma exposição individual da escultora Leonor Parda, sediada no Porto; e o trabalho de Basel Abbas e Ruanne Abou-Rahme, uma das duplas mais proeminentes na experimentação do som e imagem no campo da arte contemporânea.
Um ano de consolidação de públicos
Num ano em que a aposta recai também na consolidação de públicos, a GMP volta a organizar “Abril Febril” na Concha Acústica dos Jardins do Palácio de Cristal, no dia 25 de abril. O evento contará com a participação de La Familia Gitana, Fidju Kitxora, Emmy Curl e Carmen López.
Destaque ainda para duas novas edições de “Fogo Fátuo” – o programa dedicado à arte em movimento, que tem vindo a cruzar diferentes linguagens performativas e sonoras –, a acontecer em junho e outubro.
Já em julho, a GMP promove “Circuitos’26”, a terceira edição de uma iniciativa que procura dar visibilidade às pessoas e aos projetos que constituem o tecido artístico do Porto, reforçando o contacto e a familiaridade entre o público e a produção artística contemporânea da cidade. A edição de 2026 reafirma o compromisso com uma abordagem aberta e transversal à cena artística portuense.

Ao longo do ano, dará ainda continuidade às “Conversas de Galeria”, um programa mensal de conversas informais sobre arte e sociedade com diferentes personalidades nacionais. Depois de receber em janeiro António Brito Guterres, para o primeiro quadrimestre do ano está confirmada a participação da realizadora Leonor Teles (em fevereiro), a designer de moda Constança Entrudo (em março) e o curador e crítico de arte Nuno Crespo (em abril).
Da mesma forma, a Fonoteca Municipal do Porto dará continuidade ao seu programa semanal “Hora de Ponta” — sessões de escuta temática abertas ao público, que decorrem todas as quartas-feiras, das 18h00 às 19h00 —, bem como às sessões mensais de “Escuta Ativa”, em que diferentes convidados são desafiados a escolher um disco da vasta coleção de vinil da cidade para uma escuta imersiva com o público.
Depois do músico e escritor Kalaf Epalanga, nos próximos meses seguem-se o historiador, arqueólogo e comunicador Joel Cleto (fevereiro) e o cineasta João Botelho (março). As atividades da Fonoteca integram-se de forma complementar na programação da Galeria, criando pontes entre a programação dos dois projetos e reforçando o diálogo entre públicos e artistas.
No início de maio, a GMP apresenta uma nova edição de Colectivos Pláka, programa de estudos sobre sociedade e cultura contemporânea que promove diálogo, aprendizagem e partilha de conhecimento entre diferentes tradições e comunidades criativas, permeando os encontros e discursos no campo da arte contemporânea com outras formas de reflexão e produção.
Nesta edição, o curso conta com a participação do cineasta e encenador Marco Martins, cujo trabalho se distingue pelo cruzamento de linguagens performativas e pela colaboração com não-atores e comunidades específicas, trazendo aos participantes experiências de investigação e prática sobre processos criativos coletivos.

Paralelamente, será dada primazia ao aprofundamento da relação do público com as diferentes exposições, através de um programa público que inclui, para além de visitas guiadas não só para escolas, mas para o público em geral, uma série de atividades — entre cursos, oficinas, conferências e outras iniciativas pontuais —, desenvolvidas em diálogo com diferentes artistas e interlocutores, incluindo ações direcionadas a públicos infantojuvenis, promovendo a descoberta e a participação ativa das crianças e jovens nas exposições.
Fotos: Sérgio Monteiro