A próxima sessão da Filmaporto — film commission no Batalha Centro de Cinema realiza-se a 13 de fevereiro, às 19h15, e é dedicada à obra do cineasta Saguenail (Serge Abramovici), numa sessão com a presença do realizador.
O programa, intitulado “Falsos Raccords”, reúne três obras que atravessam diferentes registos formais e temáticos, mas partilham uma mesma inquietação: a interrogação crítica dos códigos artísticos e da condição humana.
Em “A Imitação”, Saguenail parte da pintura sacra para construir uma alegoria filmada numa igreja transformada em bar, durante a Páscoa de 2003.

Protagonizado por “tantos atores quantos os dias do ano”, o filme confronta o espectador com uma pergunta frontal: morrer como Cristo ou trair, conscientemente, como Pedro?
“Mau Dia”, inspirado no poema “Petit déjeuner du matin”, de Jacques Prévert, trabalha a dilatação do tempo como estratégia narrativa. A aparente banalidade do quotidiano revela, pouco a pouco, um drama íntimo. Tudo é meticulosamente decomposto e reconstruído: cenários pintados, chuva orquestrada, ações mimadas, representadas ou cantadas.

Já “Alma Depenada” parte de dados biográficos da intérprete (Leonor Keil) para encenar um diálogo com o duplo — ou com vários duplos. Um confronto que passa pela hostilidade, pela rejeição e, no limite, pela eliminação simbólica dessas figuras refletidas. O resultado é um filme sobre identidade, memória e conflito interior.
Nascido em Paris, em 1955, Serge Abramovici, conhecido como Saguenail, desenvolveu uma obra extensa e transversal, que cruza ensaio universitário, poesia, narrativa, teatro, crítica e cinema — entre ficção e documentário.
Ao longo do seu percurso, tem interrogado de forma sistemática os códigos literários, cinematográficos e sociais. Saguenail fundou a revista de cinema “A Grande Ilusão”, integrou a associação Os Filhos de Lumière e teve uma ligação continuada à cidade do Porto.

A produtora independente Hélastre, criada em parceria com Regina Guimarães, assina os filmes exibidos nesta sessão. A colaboração entre ambos remonta a 1975, sendo Guimarães coautora dos argumentos apresentados.
A sessão tem entrada gratuita, mediante levantamento de bilhete no próprio dia, limitado a dois bilhetes por pessoa.