29/07/2022

Já decorrem os preparativos, nos jardins do Palácio de Cristal, para acolher a edição de 2022 da Feira do Livro do Porto. De 26 de agosto a 11 de setembro, a literatura vai ser rainha, aliada a um programa cultural que contempla mais de 100 atividades. Ana Luísa Amaral é a autora homenageada desta edição.


Na edição em que o mote passa por “Imaginar e Agir”, a poesia está em destaque na Feira do Livro do Porto 2022. “A Feira do Livro assume-se como um festival literário, diria mesmo um festival cultural. A poesia é a arte da partilha, uma promessa de futuro, e dedicamos esta edição da Feira do Livro à poesia como força transformadora”, afirmou Nuno Faria.


“Ana Luísa Amaral tem merecido alargada aclamação crítica”, acrescentou o coordenador da programação da Feira do Livro, destacando a atribuição à autora, em 2021, do Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. “No primeiro fim de semana, de 27 e 28 de agosto, teremos a homenagem a Ana Luísa Amaral, com o descerramento da tília de homenagem às 15 horas do dia 27”, acrescentou.


Confessando um “enorme prazer em homenagear a minha querida amiga Ana Luísa Amaral”, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, lembrou que o município já honrou a autora com a medalha da cidade, em 2016. “Agora ficará ligada a uma das tílias dos jardins do Palácio de Cristal. É a forma de a cidade a homenagear para sempre”, congratulou-se.


“Resistimos a dois anos de pandemia. Este será um regresso à nossa normalidade, espero que as pessoas possam aderir”, sublinhou Rui Moreira, vincando que esta edição irá realizar-se sem qualquer restrição de lotação: “É uma oportunidade para os livreiros e alfarrabistas promoverem o que estão a produzir. Editar livros é um ato de heroísmo. Espero que as pessoas venham.”


Numa curta intervenção, à qual assistiram elementos da equipa de vereação, Ana Luísa Amaral admitiu sentir-se “honrada por este convite e feliz com esta distinção”. “Eu nasci em Lisboa, cresci em Sintra, vim para o norte e ao início detestei. Mas o Porto, neste momento, é a minha cidade. É a cidade que me acolheu, uma cidade maravilhosa”, frisou.


Antes ainda de terminar a leitura de um poema, Ana Luísa Amaral não deixou de confessar ter “muita pena” que Rui Moreira esteja a cumprir o último mandato como presidente da Câmara do Porto. “Do ponto de vista do que mais me interessa, da cultura, o nosso presidente tem feito imenso. Não estou a dizer isto só porque agora aconteceu este convite, não tem nada a ver com isso. Tem a ver com a Feira do Livro, por exemplo. Toda a gente se lembra quando a Feira do Livro era na rotunda da Boavista, tudo disperso, de qualquer maneira”, recordou.


“Uma afirmação da vontade da cidade”

No final da sessão, em declarações aos jornalistas, o presidente da Câmara do Porto considerou que a Feira do Livro do Porto “já não é uma insistência”. “A partir do momento em que a primeira feira correu bem – e havia muita gente ansiosa pela possibilidade de não termos adesão, quer dos livreiros e alfarrabistas, quer do público – a partir daí já não foi insistência, a partir daí foi um statement, uma afirmação da vontade da cidade de ter uma feira do livro que fosse mais do que uma feira do livro. Que fosse um momento muito importante para a cultura do Porto, e não é apenas na parte das letras. Quisemos fazer mais do que um festival literário, e não apenas uma feira”, explicou.

“Recorremos às nossas pessoas. Hoje a cultura da Câmara tem um conjunto de recursos humanos que nos permite internalizar muitas destas atividades. É um aspeto muito importante”, realçou o autarca, revelando que a organização do certame traduz-se num investimento municipal de 400 mil euros.


Ana Luísa Amaral, autora homenageada desta edição – vai integrar um lote que inclui Vasco Graça Moura (2014), Agustina Bessa Luís (2015)Mário Cláudio (2016)Sophia de Mello Breyner Andersen (2017)José Mário Branco (2018)Eduardo Lourenço (2019)Leonor de Almeida e Maria de Sousa (2020) e Júlio Dinis (2021) – será objeto e protagonista de duas lições no primeiro fim de semana da Feira do Livro 2022, que Nuno Faria considerou “imperdíveis”.


No sábado, 27 de agosto, Maria Irene Ramalho encarregar-se-á da lição “Ana Luísa Amaral, Poesia e Mundo”. No dia seguinte, a própria Ana Luísa Amaral dará uma lição sobre Emily Dickinson. “É a poeta mais extraordinária para mim, já a traduzi, e aqui na Feira do Livro vai sair o herbário de Emily Dickinson, traduzido por mim. Dickinson foi por amor, por paixão. Se não se fizerem as coisas por paixão, não vale a pena fazer as coisas”, confessou a autora.


“A Feira do Livro tornou-se uma referência muito importante em Portugal. De alguma maneira, espalhou-se pelo país e internacionalizou-se. Não sei bem porque Lisboa foi escolher a mesma data, mais ou menos, para a feira do livro. Isto é um pequeno aparte. Fui convidada para estar na Feira do Livro de Lisboa justamente na altura em que estou aqui a fazer uma lição. Eu disse que não posso ir, claro”, concluiu Ana Luísa Amaral.


De 26 de agosto a 11 de setembro, nos jardins do Palácio de Cristal, os visitantes terão à disposição 126 pavilhões, pelos quais se dividirão as 84 entidades inscritas nesta edição. À venda de livros alia-se uma vasta programação cultural que, este ano, conta com algumas novidades, como o Ciclo de Poesia Brasileira, que simbolicamente assinala a celebração do bicentenário da independência do Brasil. A programação cultural assegura 22 Concertos, 11 Conversas, 9 Lições, 4 Sessões de Cinema, 5 Sessões de Palavra Soprada e 46 Atividades Infantojuvenis, atividades que se ramificam pelos Jardins do Palácio de Cristal, Biblioteca Municipal Almeida Garrett, Casa do Roseiral e Extensão do Romantismo.


Fonte: Porto Ponto

Fotografia: Guilherme Costa Oliveira

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