11/09/2026

O Batalha Centro de Cinema inaugura, a 17 de setembro, “Raw Rhythms”, a primeira vez que a coreógrafa e artista argentina Cecilia Bengolea apresenta o seu trabalho em formato expositivo, num projeto em parceria com o Batalha e a Solar — Galeria de Arte Cinemática.

 

Desenvolvido a partir de uma residência artística realizada em Vila do Conde, entre abril e maio de 2026, “Raw Rhythms” parte de uma investigação sobre a preservação de danças arcaicas e de ofícios tradicionais ligados ao trabalho marítimo para mergulhar no património cultural da costa atlântica do Norte de Portugal. Entre paisagem, gesto e ritual, Cecilia Bengolea aproxima-se de saberes e práticas transmitidos de geração em geração, interrogando as relações entre tradição, memória e identidade.

 

No Batalha Centro de Cinema, a exposição reúne três filmes inéditos, produzidos durante a residência em Vila do Conde: “25 de Abril with Rancho Folclórico ACD Mindelo” (2026), “Nicole and the Lonely Dorys” (2026) e “Moura Encantada” (2026).

 

 

Apresentados entre o Foyer da Sala 2 e a Sala-Filme, os três trabalhos aproximam cinema, dança e investigação etnográfica para observar formas de expressão, rituais e modos de vida ligados ao território.

 

25 de Abril with Rancho Folclórico ACD Mindelo” centra-se nas danças folclóricas enquanto formas de memória coletiva e transmissão cultural.

 

Nicole and the Lonely Dories” cruza realidade e ficção para se aproximar dos códigos e rituais de uma comunidade piscatória, perturbados pela chegada de uma forasteira curiosa.

 

Já “Moura Encantada” recupera esta figura mítica local numa reflexão sobre ausência, esperança e regresso.

 

Em conjunto, os três filmes podem ser entendidos como uma espécie de “coreografia cinematográfica”, na qual o movimento dos corpos e o movimento das imagens se tornam formas de pensar a memória, o território e a transmissão cultural.

 

 

A exposição no Batalha inaugura a 17 de setembro, às 19h30, com a presença da artista, e pode ser visitada até 1 de novembro.

 

Artista, coreógrafa e performer, Cecilia Bengolea (Buenos Aires, 1979) desenvolve uma prática que cruza performance, vídeo, escultura e dança. O corpo, individual e coletivo, surge na sua obra como lugar de memória, empatia e intercâmbio emocional. O movimento torna-se uma espécie de escultura animada, articulando energias simbólicas, sociais e naturais e explorando as relações entre os corpos, as imagens e os ambientes que os rodeiam.

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