O espaço registou, em 2025, a maior afluência desde a sua reabertura em dezembro de 2022, com um crescimento de 16% face ao ano anterior.
Contrariando a tendência de decréscimo do número de espectadores de cinema verificada ao longo de 2025 em Portugal, entre janeiro e dezembro do ano passado, o Batalha Centro de Cinema recebeu 62 230 espectadores — o que representa um crescimento de 16% face a 2024 (com 53 640 espectadores). No total, foram 589 as sessões de cinema, que somam a programação do Batalha à dos festivais de acolhidos.
O ciclo mais acompanhado foi “A Paixão de Almodóvar”, que percorreu 45 anos de cinema do realizador espanhol Pedro Almodóvar, com 40 sessões e um total de 6 395 espectadores.
Ao longo do ano, foram ainda apresentadas retrospetivas dedicadas à cineasta italiana Alice Rohrwacher, ao músico e artista britânico David Bowie (ainda a decorrer) e à cineasta chilena Dominga Sotomayor, bem como ciclos temáticos em torno das mitologias, do movimento Harlem Renaissance, do género cinematográfico Neo-Noir, e do impacto da evolução do telefone no cinema.

O crescimento do público do Batalha refletiu-se também nos eixos de programação regular: em Tesouros do Arquivo, com a exibição de clássicos icónicos restaurados por importantes laboratórios, arquivos e cinematecas; na Seleção Nacional, programa quinzenal dedicado ao cinema português; e nas Matinés do Cineclube, com exibições quinzenais às 11:15 de domingo (com especial relevo para a celebração dos 80 anos do Cineclube do Porto). Em Luas Novas, centrado em vozes emergentes do cinema nacional, foi apresentado o cinema de Ana Meleiro, Marta Simões, Mário Macedo, Alexander David, Maria Inês Gonçalves e Alice dos Reis. As Sessões Filmaporto continuaram a dar visibilidade ao cinema produzido na cidade, enquanto o programa Famílias reuniu públicos intergeracionais em torno da imagem em movimento, com destaque para a exibição do clássico E.T.— O Extraterrestre.
Em 2025, o Batalha deu início a dois novos programas: em X-Novo foram apresentadas obras distinguidas em festivais internacionais, ainda sem exibição na cidade; Câmara Sónica, programa com curadoria de Diana Policarpo e João Polido dedicado à exploração do som e à sua relação com o cinema e a imagem em movimento, incluiu performances de Klein, Selwa Abd, Inês Tartaruga Água e Xavier Paes, e Joshua Bonnetta.
Enquanto espaço de diálogo com o cinema produzido dentro do campo das artes visuais, o Centro de Cinema acolheu as primeiras exposições em Portugal de Tony Cokes, Saodat Ismailova e Raven Chacon, e ainda de Priscila Fernandes e Ben Rivers, entre outras.

O Batalha levou ainda o cinema para fora de portas através de programas como o Oásis, com sessões ao ar livre que encheram a Praça da Batalha no verão, e o Vai e Vem, que apresentou uma seleção de filmes da Filmoteca do Batalha em espaços vizinhos — de lojas e cafés a um hotel, uma loja de tatuagens e uma escola de boxe.
No âmbito do Programa Escolas, o Batalha recebeu 4 711 alunos, provenientes de cerca de 56 instituições de ensino. O programa abrangeu diferentes níveis de ensino, do pré-escolar ao secundário, e incluiu o acolhimento de aulas abertas de várias faculdades numa base semanal. Foi também apresentada uma nova edição do Big Show, encontro anual da comunidade escolar de cinema do Porto, com a exibição de filmes de estudantes finalistas de licenciatura, selecionados pelo realizador Falcão Nhaga, pela atriz Joana Ribeiro e pela realizadora Laura Carreira.

Este crescimento da afluência compreende também o acolhimento e apoio a vários festivais e mostras de cinema da cidade: IndieJúnior Porto, Fantasporto, Porto Femme, Multiplex, Festa do Cinema Italiano, BEAST, Arquiteturas Film Festival, Festa do Cinema Francês, Family Film Project, MICAR, Queer Porto e Porto/Post/Doc.
A cada temporada, o Batalha organiza diferentes grupos de discussão e cursos para crianças e adultos, promovendo espaços de partilha e de relação crítica com o cinema e outras artes. Iniciativas como o Clube de Leitura, o Grupo de Professores, o grupo de cinefilia Porto, Texas, e cursos como o de Crítica de Cinema, o de Cinema do Porto, e as oficinas de Animação e de Realização para Famílias registaram uma forte adesão, com vagas esgotadas ao longo do ano.
Espaço de encontro e de relação com o cinema de todos os períodos, mas também de reflexão, experimentação, cruzamento artístico, educação e preservação do património cinematográfico, o Batalha apresentou, em 2025, um programa que consolidou a sua missão e fez crescer a sua relação com públicos diversos e com o sector do cinema.