O professor, investigador, programador e curador de cinema foi o nome selecionado para liderar a Direção de Cinema e Imagem em Movimento, um dos polos de intervenção cultural do Município do Porto, através da empresa municipal Ágora – Cultura e Desporto do Porto, que integra o Batalha Centro de Cinema e a Filmaporto. Daniel Ribas inicia funções em dezembro de 2026.
Daniel Ribas (Porto, 1978) é atualmente professor auxiliar na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e, desde 2022, diretor do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR), onde anteriormente exerceu funções de vice-diretor. Doutorado em Estudos Culturais pela Universidade de Aveiro, desenvolveu um percurso que cruza a investigação, o ensino, a programação e a curadoria de cinema. Na Universidade Católica Portuguesa, foi responsável pela reestruturação da oferta formativa na área do cinema, com a criação de uma nova licenciatura e de um mestrado, e tem coordenado várias atividades da programação artística e científica do Católica Art Center.
Ribas assume a direção em regime de comissão de serviço, por um período de quatro anos, com possibilidade de renovação entre um e quatro anos. O cargo inclui a programação do Batalha Centro de Cinema, que reabriu ao público no final de 2022, e a gestão da Filmaporto.

Para Jorge Sobrado, vereador da Cultura da Câmara do Porto, “a escolha de Daniel Ribas é uma garantia para o futuro do Batalha e a excelência do seu projeto, que se vê assim renovado. De raízes portuenses, é um investigador e um programador muito respeitado, com fortes ligações ao setor do cinema, no plano nacional e internacional, e com interesses demonstrados na valorização do património cinematográfico. É com grande confiança e expectativa que anunciamos a sua escolha."
Com uma extensa experiência na programação cinematográfica, Daniel Ribas fundou o Porto/Post/Doc, em 2014, festival no qual integrou a direção artística entre 2016 e 2018 e onde atualmente é programador. Entre 2010 e 2025, desempenhou diferentes funções de programação no Curtas Vila do Conde e, desde 2022, tem colaborado com o Batalha Centro de Cinema, onde programou a Seleção Nacional e a secção X-Novo, assumindo também a curadoria da retrospetiva dedicada a João Canijo. Autor e editor de várias publicações sobre cinema, é colaborador regular do jornal Público desde 2018 e tem ainda exercido funções de júri e consultoria para o Instituto do Cinema e do Audiovisual e para o programa MEDIA da União Europeia.

A Direção de Cinema e Imagem em Movimento é responsável pela definição e execução da estratégia artística e programática do Batalha Centro de Cinema e pela gestão da Filmaporto, em articulação com a estratégia cultural do Município do Porto. Para o ciclo 2027–2030, a nova direção terá como prioridades o reforço da programação destinada à infância e às famílias e da atividade em espaço público, nomeadamente na Praça da Batalha; o aprofundamento da articulação com outras estruturas culturais municipais; a valorização da história do cinema e do património fílmico do Porto; o desenvolvimento da cooperação internacional e da internacionalização das produções realizadas na cidade; e o reforço das parcerias e coproduções com festivais de cinema locais, nacionais e internacionais.
O concurso para a Direção de Cinema e Imagem em Movimento foi lançado a 22 de junho, na sequência do anúncio da saída, este ano, de Guilherme Blanc para a Gulbenkian Cultura. Blanc liderou o processo de reabertura do Batalha Centro de Cinema, em 2022, e a sua consolidação nos anos seguintes. O concurso recebeu um total de 22 candidaturas nacionais e internacionais.
Sobre o processo de seleção, o júri, composto por Joana Meneses Fernandes, vogal executiva da Ágora – Cultura e Desporto do Porto, E.M.; Manuel Claro, vice-presidente do ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual; e Rodrigo Areias, cineasta e produtor, sublinha a elevada qualidade das candidaturas analisadas, várias delas apresentadas por profissionais com percursos muito relevantes no setor do cinema. Para além da qualidade, consistência e relevância da experiência profissional, foram avaliadas, entre outros critérios, a capacidade de liderança e coordenação de equipas, o conhecimento das redes nacionais e internacionais do setor, a experiência na formação de públicos e mediação cultural e a coerência do percurso e das motivações apresentadas. Segundo o júri, a escolha de Daniel Ribas resulta da conjugação entre um percurso profissional consistente e a solidez e coerência da visão estratégica apresentada para o futuro do Batalha Centro de Cinema e da Filmaporto, alinhada com as prioridades definidas para esta Direção.