Do The Voice Kids (RTP), em 2021, até à Avenida dos Aliados, no final de 2025, o percurso de Rita Rocha tem sido feito de forma ascendente. Começou a atuar em nome próprio, colaborou com uma série de artistas da música nacional, conseguiu gravar o desejado álbum de originais (“8 ou 80”), cuja primeira parte foi lançada a meio deste ano. Quando se prepara para fechar a programação de Natal do Porto, com um concerto neste domingo, 21 de dezembro, às 18h00, nos Aliados, e a três meses de se estrear no Coliseu do Porto (a 20 de março de 2026), a artista fala sobre um percurso feito de conquistas e de muitas surpresas.
Em 2021, aos 14 anos, ouvimos falar de ti, pela primeira vez, no The Voice Kids (RTP). Hoje, já com 19 anos, como é que olhas para este percurso que te fez chegar até aqui?
Honestamente, e sou mesmo muito honesta, sinto que ainda não me caiu a ficha. Aconteceu tudo demasiado rápido. Não acreditava que isto pudesse ser possível. Aliás, eu ainda acredito que não é. Até aos momentos acontecerem. É certo que me calharam as melhores pessoas na rifa (risos). O facto de ter participado no The Voice e ter chegado à final, o facto da Carolina (Deslandes) ter pegado e acreditado em mim, mesmo quando eu não acreditava, tudo isto foi um grande voto de confiança. E agora, ao longo destes anos todos, tenho tentado mostrar que esse voto de confiança valeu a pena. Têm sido anos absolutamente inacreditáveis, anos em que tenho conseguido viver o meu sonho, ainda por cima muito nova. É um sonho para mim.
Mas existe um segredo para este sucesso? Ou uma receita com os ingredientes certos para este percurso ascendente?
Há vários fatores, claro. Obviamente que me calharam as pessoas certas, mas também o trabalho, porque não se chega a nenhum lugar sem trabalho. Eu desafio-me todos os dias, quero sempre trabalhar mais, fazer cada vez mais. Mesmo quando estou muito cansada, há sempre uma energia pequena que eu consigo encontrar não sei bem onde, porque quero chegar a um sítio maior e melhor. Não consigo viver na estagnação, procuro sempre mais, fazer sempre mais. Mas são também importantes a força de vontade e a sorte. As pessoas esquecem-se de falar disso, mas é preciso ter um pouco de sorte para se conseguir percorrer o caminho certo. E, graças a Deus, eu tive. Tem sido uma experiência absolutamente incrível.

E a prova disso são as pessoas que te seguem, que acompanham o teu percurso e que, todos os dias, vibram com as tuas conquistas.
Graças a Deus, tenho sempre muitos comentários positivos. O que me dá ainda mais vontade de fazer mais e mostrar aquilo que vou preparando. Ao longo destes anos, podia destacar imensas reações que recebi, mas há um comentário que nunca esqueci. Um dia, recebi esta mensagem: “obrigado por não me fazeres sentir sozinha”. (pausa). Bem, ainda me arrepio quando falo disto (sorriso). É essa a razão pela qual faço música. Como é que nos esquecemos que passamos pelas mesmas coisas que outras pessoas estão a passar ou já passaram? Só pelo facto de fazer com que uma pessoa não se sinta sozinha e se sinta compreendida é como se o meu objetivo esteja cumprido. Foi claramente o melhor comentário que tive até hoje.
A tua música acaba por ser esse reflexo de um sem número de dilemas, alegrias e desventuras de uma geração. No teu processo criativo, o que nasce primeiro: a letra ou a música?
No meu caso, a música. A letra é algo mais demorado, a escrita é como se fosse um diário. Tem muita da minha vida, dos meus amigos, do que eu vejo em filmes, das coisas que me são próximas. Aliás, neste momento, até tento distanciar-me da minha vida, porque estar a falar dela é demasiado repetitivo (risos). Na segunda parte do novo disco, que vou lançar agora, tentei distanciar-me, falar da relação de pais com filhos, mas não da melhor forma. Tentei falar de ansiedade, que é algo que não se fala tanto, e a minha geração passa por isso no seu maior pico. A parte criativa vem muito da minha vida e da vida das outras pessoas com amores e desamores como os meus.

O disco a que te referes chama-se “8 ou 80”, lançado em duas partes. A primeira parte (“8”) foi lançada neste ano e a segunda parte (“80”) apenas no início de 2026. É um disco que mostra o melhor e o pior de ti?
(risos) É o meu primeiro álbum, em que quis muito falar sobre imensos temas, de relações, de amor e de desamor. Falo sobre muita coisa que se passa na adolescência. E o “8 e o 80” é também uma forma de dizer aquilo que sou. Muitas vezes a minha mãe dizia-me: “Rita, tu vais do 8 ao 80”. Porque eu não sabia ser o 40 e é verdade (risos). Nós quando passamos pela adolescência não sabemos o que é ser equilibrados, então andamos aqui sempre entre o 8 ou 80. Fiz este disco especialmente para nós, para mim e para os adolescentes, e estou muito contente com ele. É o primeiro projeto que eu escrevo praticamente sozinha. A Carolina Deslandes escreveu comigo o “Saudades”, mas este é o primeiro projeto em que quase tudo é escrito por mim e estou super orgulhosa.

Acredito que esse será o menu principal do concerto na Avenida dos Aliados, agendado para este domingo, 21 de dezembro, às 18h00.
Claro, sem dúvida. Mas sendo este um concerto com espírito natalício, também vou cantar uma ou outra música de Natal, vai haver uma entrega de presentes, que eu ainda não posso revelar (risos). Estou muito feliz com este encontro com as pessoas aqui no coração da cidade do Porto.
E não é só, há um convidado muito especial.
Sim, o Guga. Ele é um artista que eu adoro. Conheci-o quando comecei a escrever um tema com ele, entretanto já escrevemos mais algumas letras e estou muito feliz que ele faça parte deste momento tão especial. Vamos viver este sonho juntos. E vai ser mesmo “8 ou 80”, porque cantamos estilos totalmente opostos (risos).
Com um convidado especial, muitas temas para partilhar e surpresas que só serão reveladas durante o concerto, a expectativa é grande para tocares na tua cidade.
Bem, vou já dizer que estou nervosa – e olha que já não me lembro de ficar tão nervosa para um concerto. Estou já a sofrer há duas semanas. (risos) Porque é na minha cidade e as expectativas estão sempre altas. Se há expectativa que eu coloco sempre lá em cima é aqui no Porto, porque esta é a melhor cidade e este é o melhor público. Estou super entusiasmada por tocar aqui, mas ao mesmo tempo super ansiosa e nervosa. Mal posso esperar para ver a energia das pessoas. A energia da malta do Porto é a melhor energia de todas. É sempre um gosto tocar aqui. Quem me dera tocar mais (risos, com piscar de olho).
Entrevista: José Reis
Fotos: Guilherme Costa Oliveira