O que fica do tempo em que a Liberdade era apenas uma palavra do dicionário? Ainda hoje, ao rever memórias de uma época que já lá vai, saltam-nos imagens de uma sociedade presa a dogmas, a hierarquias, ao medo de pensar e, acima de tudo, de agir.
Mas, afinal, o que nos trouxe aquele dia que mudou para sempre a forma como, a partir de então, usamos a palavra Liberdade? No meio de quase tudo, abriu-nos um imenso horizonte, sem fim à vista, feito de possibilidades infinitas de sermos e vivermos aquilo que realmente somos e queremos ser, de sentirmos e experienciarmos aquilo em que realmente acreditamos e em que queremos fazer crer.
Porque, por mais vezes que se repitam, por mais vezes que, todos os anos, nos lembrem da sua existência, há palavras – e sentimentos - que nunca se gastam. A Liberdade é uma delas.
O 25 de Abril (re)lembra-nos que a possibilidade de escolher, de pensar livremente, de discordar, de sonhar uma vida diferente e de a dizer em voz alta é, todos os dias, uma conquista. Por isso, esta não é só mais uma data para assinalar. É a oportunidade para dar corpo, agora, àquilo que só esse Abril tornou possível.
Entre música, cinema, desporto e outras formas de celebrar a Liberdade, aqui ficam cinco propostas para os próximos dias.
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Comemorações do 25 de Abril nos Aliados (na véspera e no próprio dia)
Na noite de 24 de abril, às 22h00, no âmbito das Comemorações Populares do 25 de Abril, o músico Carlão sobe ao palco com temas do seu novo disco, antes de oo Coral de Letras da Universidade do Porto evocar as músicas da Revolução. À meia-noite, haverá o traicional fogo de artifício . A 25, a manhã é dos mais novos, com jogos tradicionais a partir das 10h00. Ao início da tarde, o Desfile da Liberdade percorre a cidade até aos Aliados, onde o projeto Labuta (15h00) e os Galandum Galundaina (16h15) fecham as comemorações. O acesso a todas as atividades é livre.
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Respirar Abril com música na Concha Acústica
A Galeria Municipal do Porto volta a assinalar o 25 de Abril com mais uma edição do Abril Febril, a partir das 18h00, na Concha Acústica dos Jardins do Palácio de Cristal. O alinhamento reúne Carme López, emmy Curl, Fidju Kitxora e La Família Gitana, num cartaz que junta tradição, experimentação e diferentes formas de revisitar o imaginário de Abril nos dias de hoje. A entrada é livre.
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Liga MEO Surf volta às praias do Porto e Matosinhos
Entre 24 e 26 de abril, as praias do Porto e de Matosinhos recebem o Go Chill Porto Pro, segunda etapa da Liga MEO Surf, que volta a reunir alguns dos principais nomes do surf nacional. Francisco Ordonhas e Maria Salgado chegam à etapa nortenha na liderança dos respetivos rankings, numa prova que inclui ainda prémios paralelos para a melhor onda, a melhor manobra, a melhor pontuação feminina e a melhor performance desportiva. O acesso é livre.

Dois coros judaicos juntos na Alfândega do Porto
No dia 24 de abril, às 18h00, a Alfândega do Porto recebe o concerto dos coros Mekor Haim e HaMakom, integrado no programa paralelo da exposição “Fluxo. Objetos, Pessoas e Lugares”. A proposta, interpretada pelos dois grupos do Porto e dirigida pelo maestro Leonardo Mendonça, cruza música judaica, património e espiritualidade, estabelecendo uma relação com os objetos presentes na exposição. A entrada é livre, sem necessidade de reserva.

Cinema como espaço de liberdade e reflexão no Porto Femme
O Porto Femme — Festival Internacional de Cinema regressa para a sua 9.ª edição e volta a afirmar-se como espaço de visibilidade e reflexão em torno do trabalho de mulheres e pessoas com identidades queer. Este ano, o tema central é o Trabalho, com uma programação que inclui competições, conversas, oficinas e performances. Entre 23 e 26 de abril, o festival passa também pelo Batalha Centro de Cinema, com várias sessões em destaque. Bilhetes disponíveis na bilheteira do Batalha e online.
Edição: Mariana Rodrigues