08/04/2026

O Batalha Centro de Cinema prossegue com “Tesouros do Arquivo”, ciclo que até junho apresenta filmes restaurados por importantes laboratórios, arquivos e cinematecas. Com duas sessões mensais, o programa propõe redescobrir obras historicamente relevantes que ficaram fora do circuito comercial ou caíram no esquecimento.

 

A programação arranca a 11 de abril com “Um É Pouco, Dois É Bom” (1970), de Odilon Lopez, obra pioneira do cinema negro brasileiro. Assinado, escrito e protagonizado pelo realizador aos 29 anos, o filme articula humor absurdo e crítica social num retrato mordaz das tensões de classe, trabalho e raça no Brasil do início da década de 1970.

 

 

A 3 de maio, é exibido “Yi Yi” (2000), de Edward Yang, amplamente considerado uma obra-prima do cinema contemporâneo. Restaurado aquando do seu 25.º aniversário, o filme acompanha o quotidiano de uma família em Taipé ao longo de um ano, transformando gestos aparentemente banais numa reflexão sensível sobre o ciclo da vida.

 

O programa prossegue a 29 de maio com “Ecce bombo” (1978), de Nanni Moretti, um retrato irónico e melancólico da juventude italiana pós-68. Através da figura de Michele, alter ego do realizador, o filme explora a dificuldade de conciliar ideais políticos com a realidade social, num contexto de desencanto e desorientação geracional.

 

Em junho, a 11, chega “The Razor’s Edge” (1985), primeira obra de ficção de Jocelyne Saab. Filmado durante a guerra civil do Líbano, o filme acompanha a relação entre uma jovem refugiada e um pintor em Beirute, propondo uma reflexão sobre memória, arte e sobrevivência em contexto de conflito. A versão apresentada corresponde ao restauro da cópia exibida no Festival de Cannes em 1985.

 

 

O ciclo encerra a 20 de junho com “The Killer” (1989), de John Woo, um marco do cinema de ação de Hong Kong. Combinando violência estilizada e densidade emocional, o filme tornou-se referência para várias gerações de cineastas, ao explorar temas como honra, redenção e amizade num universo marcado pela ambiguidade moral.

 

Com esta programação, o Batalha reforça o seu papel como espaço de mediação cultural e de acesso a património cinematográfico, propondo ao público não apenas ver filmes, mas revisitá-los criticamente — como documentos vivos que continuam a interpelar o presente.

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