07/10/2020

Num ano particularmente especial, o Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) leva produções de seis países a dez salas, com várias estreias absolutas e nacionais incluídas no programa. Marionetas, objetos e matérias ganham vida e fazem-no para testar os "Limites do Humano", tema desta 31.ª edição, desafiando o público a pensar sobre o mundo das coisas numa perspetiva diferente.


Teatro Municipal do Porto - Rivoli e Campo Alegre, Teatro Helena Sá e Costa, Palácio do Bolhão, Metro do Porto, Mira Fórum, Teatro de Ferro e Círculo Católico dos Operários do Porto e, pela primeira vez, Cineteatro Constantino Nery, em Matosinhos, são os palcos que vão receber a edição de 2020 do FIMP, que se propõe explorar discursos e pensamentos sobre as ciências e a política, com uma programação que inclui ainda um concerto-performance, três workshops online e duas masterclasses.


Num festival que terá espaço para estreias absolutas, formações, mostra de trabalhos em processo e ainda algumas surpresas, associam-se cinco países além de Portugal, nomeadamente Holanda, Cabo Verde, Bélgica, França, Espanha, para um total de 25 apresentações.


"Esta é uma edição marcada pelo surto de um vírus que poderá ter vindo para ficar por uns tempos. Neste contexto, procuramos o mais possível manter o programa inicialmente previsto. Deste modo, assumimos os nossos compromissos com os artistas, as equipas, as instituições parceiras e claro, o público", salientou na conferência de imprensa de apresentação do festival o seu diretor artístico, Igor Gandra.


O FIMP abrirá no dia 9 de outubro com "Kamp", dos holandeses Hotel Modern, descrito por Gandra como um espetáculo "impressionante" e atual face ao "crescimento assustador de tendências extremistas e racistas às quais é preciso estar muito atento". Em palco estará uma maquete enorme do campo de extermínio nazi Auschwitz-Birkenau, com casernas sobrelotadas e milhares de marionetas de sete centímetros, que representam os prisioneiros e os seus carrascos.


Já as honras de encerramento do festival serão dadas à produção proveniente da Bélgica "Cratère 6899", de Gwendoline Robin, "uma brecha" que conduz o público às origens do mundo, quando os cometas colidiram com a terra.


Do programa destaca-se ainda os espetáculos "Bad Translation", da espanhola Cris Blanco;"Uma Coisa Longínqua", do Teatro de Ferro & Carlos Guedes; "O Fim do Fim", da Alma d'Arame & Companhia João Garcia Miguel, e ainda "Lições de Voo", criação do Teatro de Marionetas do Porto.


O diretor artístico do festival reconheceu que, dadas as circunstâncias atuais, não foi possível desenvolver o modelo habitual em que os alunos das escolas artísticas do Porto eram integrados na vida do evento, tendo-se optado nesta edição por criar momentos de contacto próximo com os artistas participantes.


Com apoio da Câmara do Porto e o envolvimento de mais de 200 profissionais, o FIMP apresentará metade dos seus espetáculos em palcos do Teatro Municipal. Tal como acontece com a restante programação do Rivoli e Campo Alegre, a lotação dos auditórios será limitada a 50 por cento, cumprindo as normas da Direção-Geral da Saúde.


O programa completo e outra informação pode ser consultada no site do festival.

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