Um novo Museu à escala da Cidade com 16 estações desde a Pasteleira à Bonjóia
13-02-2020
Como se de uma linha de metro se tratasse, o Museu da Cidade renasce com nova identidade, numa plataforma dinâmica que se fragmenta em 16 estações, que se estendem desde o Parque da Pasteleira até à Quinta da Bonjóia, em Campanhã.

O conceito do Museu da Cidade evoluiu, estruturou-se e foi reprogramado para ser pensado "à escala da cidade", como anunciou esta manhã, em conferência de imprensa, Nuno Faria, diretor artístico do projeto, em resposta ao desafio lançado pelo autarca Rui Moreira, em março do ano passado.


Fragmentado em 16 espaços e subdividido em cinco grandes eixos, o Museu da Cidade vai permitir ao visitante engendrar uma infinidade de percursos, sob a orientação de um sólido corpo de programação. Uma espécie de "linha de metro" com várias estações e que terá também o seu "Andante" associado, como sugeriu esta manhã o presidente da Câmara do Porto, que juntamente com o diretor artístico do Museu da Cidade revelou a nova imagem do maturado projeto.


Além de gráfica, a nova identidade é também "geográfica e semântica", procurando "dar uma nova lógica à rede riquíssima de espaços museológicos" que a cidade detém, explicou Nuno Faria, recordando que a designação "Museu da Cidade" começou pela primeira vez a ser empregue em 1989 e acompanhou também as várias fases de crescimento da cidade: em 2001, com o infortúnio do abandono definitivo de um projeto museológico do arquiteto Siza Vieira, "que nunca viu a luz do dia", em 2013, com a sorte de ter renascido "sob a batuta do Paulo Cunha e Silva".


Mas se, na verdade, nesses anos de direção do antigo vereador da Cultura da Câmara do Porto, falecido em novembro de 2015, se deram "passos muito importantes na renovação dos equipamentos", por outro lado, "foi dada prioridade a outros projetos, como o Rivoli, a Galeria Municipal ou o Cultura", reconheceu Rui Moreira, não sem antes deixar claro que se foram reabilitando alguns espaços, como o antigo reservatório da Pasteleira, ou construídos outros de raiz, como o Museu do Vinho do Porto, na Ribeira.


O diretor artístico estava, em suma, mandatado pelo Município a olhar para espaços museológicos da cidade, entendê-los, vendo de que forma se podiam interligar entre si e entre si e a cidade, de modo a recriar - em definitivo - um "museu policêntrico" ou "museu rizoma". Por esse motivo também o Museu da Cidade é perfeitamente "evolutivo", completa o autarca, sugerindo que poderão ser sempre equacionados novos espaços para integrar este sistema de museus.


16 estações museológicas e 5 eixos que se cruzam


O Museu da Cidade, cuja identidade gráfica foi desenvolvida pelo coletivo portuense R2 (Lizá Ramalho e Artur Rebelo), impôs algumas mudanças ao nível da semântica da rede. A identidade-mãe, Museu da Cidade, passa a primeira designação no cartão de visita de cada um dos equipamentos; alguns espaços são rebatizados, como por exemplo o Museu Romântico passa a chamar-se Extensão do Romantismo e o Museu do Vinho do Porto é renomeado Extensão do Douro; a palavra "museu" cai para evitar a duplicação.


No total, o Museu da Cidade reúne 16 estações museológicas, que cobrem toda a cidade. "Começa no Reservatório da Pasteleira e vai desaguar na Quinta da Bonjóia", ilustra Nuno Faria, elencando o lugar que cada uma ocupa no mapa: 1) Reservatório; 2) Casa Marta Ortigão Sampaio; 3) Casa Tait; 4) Extensão do Romantismo; 5) Entre Quintas; 6) Banco de Materiais; 7) Rio da Vila; 8) Casa dos 24 ; 9) Arqueossítio; 10) Casa Guerra Junqueiro; 11) Extensão do Douro; 12) Casa do Infante; 13) Biblioteca Sonora; 14) Ateliê António Carneiro; 15) Bonjóia - Extensão Natureza; 16) Extensão Indústria.

Nesta reformulação, há ainda que considerar 5 eixos ou percursos, associados a temáticas, que também se podem interligar (as 16 estações museológicas estão numeradas num mapa de redes de circulação com cinco possibilidades de interpretação sobre a cidade). São eles: o Eixo Sonoro, Eixo Natureza, Eixo Material, Eixo Líquido e Eixo Romantismo.

A Biblioteca Sonora, discreto projeto da Biblioteca Pública Municipal do Porto, criado no início da década de 70 do século passado para pessoas com necessidades especiais, nomeadamente invisuais, vai ser "o coração do Museu da Cidade", anunciou Nuno Faria. "O Eixo Sonoro será o eixo por onde tudo irradia. Vamos trabalhar com músicos, compositores, sound designers, sonoplastas e contadores de histórias", assinalou.

Nestes primeiros meses, o Eixo da Natureza conduz a programação, que pode ser consultada a qualquer altura através do sítio institucional do Museu da Cidade. E sob esta nova roupagem é já amanhã inaugurada, dia 14 de fevereiro, a exposição de Ilda David' "Por trás das árvores há um outro mundo", no Gabinete de Desenho da Casa Guerra Junqueiro.

Além disso, serão lançadas plataformas de discussão abertas à comunidade, que vão permitir refletir e concretizar o que queremos para o Museu da Cidade. A primeira inicia já no mês de março.

Futura Extensão da Indústria fica no CACE

Durante a apresentação, o presidente da Câmara do Porto revelou que "a cidade não pode ficar mais à espera do projeto do Matadouro" (há um ano à espera que o Tribunal de Contas aprecie o recurso que o Município apresentou) e, por isso, a ideia que tinha de instalar no novo espaço o Museu da Indústria transitou agora para o CACE Cultural do Porto, "porventura até com melhores condições" para albergar o acervo que está guardado, partilhou o autarca.

Por agora, o Museu da Cidade "está a funcionar a 80 por cento", esclarece Rui Moreira. Já em março, reabre a Extensão do Douro com uma nova exposição, e a intenção é propor uma nova mostra expositiva a cada semestre (março e setembro), informa Nuno Faria. Até ao final do ano, o Reservatório, que já acolheu a exposição "Douro [DWR] três solos entre céu e terra", vinda de Bordéus (França), deverá abrir definitivamente ao público, com toda a história da cidade Invicta.

"À exceção da Bonjóia, que precisa de intervenções de fundo, é expectável que dentro de um ano e meio o Museu da Cidade esteja a funcionar em pleno", assinalou o presidente da Câmara, referindo ainda que a obra do Rio da Vila está em curso (museu subterrâneo que irá começar junto à Estação de São Bento e desaguar no Largo de São Domingos).
O Museu da Cidade terá ainda uma bilhética própria, que será definida com base nos eixos definidos. "Uma espécie de cartão 'Andante'", sugeriu o diretor artístico, na conferência de imprensa.

Será esta tarde apresentado à cidade por Rui Moreira e Nuno Faria, numa festa aberta a todos, no auditório da Biblioteca Almeida Garrett.