Projeto municipal testará mais de 1500 utentes e funcionários dos lares da cidade
26-03-2020
Operação é inédita em Portugal tem o apoio do Hospital de São João, dos centros de saúde, militares e bombeiros.
Todos os cidadãos a residir ou a trabalhar em lares ou residências coletivas na cidade do Porto vão ser testados nos próximos dias à Covid-19, através de um rastreio sistemático e inédito no país. A iniciativa partiu da Câmara do Porto e conta com o apoio do Hospital de São João, que garantirá em 24 horas o resultado da análise das amostras recolhidas pelos centros de saúde, do Exército Português, que apoiará na montagem de camas, e ainda dos bombeiros municipais, que ajudarão no transporte e assistência pré-hospitalar. Esta resposta será ainda articulada com o Hospital de Santo António, o outro grande centro hospitalar público da cidade.

A megaoperação de rastreio implica a segregação entre a população infetada e aqueles que resultarem negativos no teste, que serão transferidos para espaços "limpos" preparados pela Câmara do Porto, através de meios dos próprios centros e com o apoio do Batalhão de Sapadores dos Bombeiros do Porto. Entre esses espaços inclui-se a Pousada da Juventude e também a SuperBock Arena / Pavilhão Rosa Mota, onde o Exército Português dará apoio à montagem de um centro de cuidados continuados.

Para o efeito, o Município do Porto está a recrutar pessoal auxiliar em regime de voluntariado ou mobilidade, que possam ajudar e melhorar a resposta no auxílio à população não infetada, deslocalizada e em acompanhamento. A ideia é segregar completamente cidadãos idosos infetados e não infetados, acompanhando ambos os grupos.


A ação aqui apresentada implica a coordenação e articulação com várias entidades, envolvendo delicadas operações de análise, transporte, proteção e acompanhamento e só é possível graças a vários apoios articulados pela Câmara do Porto.

Rui Moreira acredita que este contributo pode realmente salvar vidas, aliviar a pressão sobre os hospitais e permitir uma melhor e mais permanente monitorização sobre esta população particularmente fragilizada. "Não podemos abandonar os lares e estas populações neste momento e tudo faremos, até ao limite das competências municipais e das nossas próprias forças para salvar todos os que pudermos salvar", refere autarca.


OUTRAS INICIATIVAS DA AUTARQUIA

Entretanto, desde a passada semana que funciona no Porto o primeiro centro de rastreio móvel, instalado no Parque da Cidade, em parceria com a Unilabs e ARSN.

A Câmara do Porto tem estado na primeira linha de apoio aos hospitais públicos da cidade e além do envolvimento na montagem do primeiro centro de rastreio da doença Covid-19 no país, desenvolveu um projeto com uma empresa local para iniciar a produção de máscaras do tipo cirúrgico.

A Câmara do Porto foi também a primeira a adotar medidas de contingência internas e de encerramento de espaços de espetáculos e públicos em todo o país.